
Você não pode mudar o que sente, mas pode aprender o que fazer com seus sentimentos. Nós do LIV – Laboratório Inteligência de Vida – acreditamos nesse conceito e por isso levamos para escolas de todo o Brasil um programa de educação socioemocional que ajuda estudantes a conhecerem seus sentimentos e a desenvolverem habilidades para a vida.
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AS ORIGENS DA MAÇONARIA SIMBÓLICA E OPERATIVA
OS ALTOS GRAUS DA ORDEM MAÇÔNICA
Quando da publicação de "Maçonaria Dissecada" de Samuel Prichard em 1730, o sistema maçônico de iniciação era estabelecido com três Graus do Ofício: Aprendiz, Companheiro e Mestre Maçom.
Embora os três Graus da Maçonaria ou Loja Azul continuassem a ser modificados e elaborados, os componentes básicos e a estrutura dos graus estavam firmemente estabelecidos. Não demorou muito, no entanto, para que novos rituais começassem a aparecer na cena maçônica. Estes novos rituais eram frequentemente considerados complementos ou elaborações dos Graus do Craft. De fato, as lojas maçônicas da segunda metade do século XVIII, experimentaram um virtual “boom de rituais”, especialmente na França e nos países de língua alemã. Muitos destes novos rituais foram reunidos em sistemas ou ritos, e esses ritos muitas vezes competiam entre si para servir como o único guardião do que se afirmava ser o segredo da Maçonaria. Os Altos Graus são frequentemente chamados de “Graus Vermelhos”, enquanto os três Graus da Arte Real, por sua vez, são chamados de “Graus Azuis”. Para ser elegível aos Altos Graus, o candidato deve ser um Mestre Maçom.

Ritos Templários e Escoceses
Ao discutir os Altos Graus maçônicos do século XVIII, uma distinção precisa ser feita entre o que é conhecido como os Graus Templários, por um lado, e os graus Ecossais do outro. Foi estabelecido que os Graus Ecossais vêm de Londres, enquanto os Graus Templários têm origem francesa. Esses dois tipos de Altos Graus são os graus mais característicos do século XVIII.
A referência mais antiga à Maçonaria Escocesa na Inglaterra é uma “Loja dos Mestres Escoceses” realizada na Taverna do Diabo, Temple Bar, Londres, em 1733. Esta loja se reunia na segunda e quarta segundas-feiras de cada mês, e a loja estava ativa até 1736 quando foi apagada da lista de lojas. Em 1735 um total de doze maçons foram “feitos” Mestres escoceses na Loja No. 113 no Bear Inn, Bath. Cinco anos depois, em 1740, havia pelo menos mais três referências a maçons sendo feitos ou “criados” Mestres escoceses. A Maçonaria Escocesa parece ter se espalhado para o continente num estágio inicial, e as referências a este tipo de Maçonaria de Alto Grau em Berlim datam de pelo menos 1741 e na França nos idos de 1743.
Enquanto os Graus Ecossais, em grande parte, estão ocupados com a construção de um novo Templo, os Graus Templários centram-se na lenda de que a Maçonaria derivou dos Cavaleiros Templários medievais. A ordem dos Cavaleiros Templários, fundada na primeira década do século XII, foi dissolvida por Filipe IV “O Belo” de Bourbon (1268-1314) e pelo Papa Clemente V (1264-1314) na primeira década do século XIV, mas de acordo com uma lenda maçônica, os Templários sobreviveram nas terras altas da Escócia e mais tarde reapareceram ao público como a Ordem dos Maçons. A primeira pessoa a apresentar esta teoria da continuação foi o Cavaleiro Escocês Andrew Michael Ramsay (1686-1743) que vivia como expatriado em Paris. Ramsay era o orador da Loja "Le Louis d’Argent" cujo Venerável Mestre era Charles Radclyffe (1693-1746). Num famoso discurso proferido na loja em 1737, Ramsay afirmou que os cruzados medievais na Terra Santa, ou Outremer, fundaram a Maçonaria. Ele não identificou explicitamente os cruzados que supostamente fundaram a Maçonaria como sendo os Cavaleiros Templários, mas como Pierre Mollier apontou, a identificação dos cruzados com os Templários não estava longe.
A oração de Ramsey provou ser um marco no desenvolvimento dos rituais maçônicos de iniciação, e logo começaram a aparecer rituais que incorporaram a tese de Ramsey. Foi no meio das Lojas parisienses Jacobitas que os Graus Templários Maçônicos se desenvolveram pela primeira vez, talvez já em 1737. O propagador mais conhecido dos Graus Templários na Alemanha foi o Barão Karl Gotthelf von Hund (1722-1776), e muitas vezes alega-se que ele foi iniciado num Grau Templário na França em 1743. Com base nessa iniciação, ele estabeleceu o Rito da "Estrita Observância" que consistia em três graus adicionais: Mestre Escocês, Noviço e Cavaleiro Templário ou Cavaleiro do Templo. O nome do Rito tinha “o duplo significado de seguir estritamente as regras da Ordem, bem como distingui-la da então atual Maçonaria Alemã”. Von Hund introduziu ainda uma característica peculiar na estrutura do seu Rito, a saber, a dos Superiores Desconhecidos ou Superiores Incógnitos. Esses Superiores Desconhecidos governavam, por meio de von Hund, o "Rito da Estrita Observância", e esperava-se que os membros do Rito observassem estritamente os decretos desses Superiores. Foi sugerido que o verdadeiro chefe do Rito não era outro senão o jovem pretendente Bonnie Prince Charlie - Charles Edward Stuart (1720-1788).
As implicações políticas para a Maçonaria (especialmente em conexão com os ritos escoceses) durante o século XVIII têm sido objeto de muitos debates e especulações. Embora esteja claro que muitos exilados jacobitas eram ativos em lojas maçônicas, permanece a questão de até que ponto os interesses jacobitas realmente moldaram os rituais maçônicos de iniciação. Em 1722 a Estrita Observância se fundiu com os chamados Clérigos (Klerikat) criados por Johann August Starck (1741-1816), mas este acordo terminou em 1778. Quatro anos depois, em 1782, a Estrita Observância foi oficialmente encerrada no Convento de Wilhelmsbad e substituída pelo Rito Escocês Retificado .
Muitos dos Ritos de Alto Grau que foram fundados durante o século XVIII caíram no esquecimento, mas ainda restam vários Ritos importantes até hoje. Os mais importantes deles são o Rito Escocês Antigo e Aceito, o Rito Escocês Retificado e o Rito Sueco. De longe, o maior desses ritos em termos de número de iniciados é o Rito Escocês Antigo e Aceito, que tem um total de trinta e três graus, incluindo os três graus do Craft. O Rito é uma coleção de rituais franceses do século XVIII e contém Graus Ecossais e Templários. Existem também outras influências, tais como a cavalaria, a alquimia e o rosacrucianismo.
O simbolismo Rosa-Cruz está concentrado principalmente no Décimo Oitavo Grau, Cavaleiro Rosa-Cruz, enquanto o Vigésimo Oitavo Grau, Cavaleiro do Sol, contém simbolismo alquímico. Em 1801 o Rito Escocês foi oficialmente fundado em Charleston, Carolina do Sul.

Ritos egípcios
Durante a última parte do século XVIII, uma nova forma de Maçonaria apareceu, que foi em parte uma reação contra os Ritos Ecossais e Templários. Esta forma de Maçonaria não colocou as origens da Fraternidade em cruzadas medievais, mas sim no antigo Egito. Desde o Renascimento, o Egito era visto como o berço da civilização ocidental, e durante a última parte do século XVIII floresceu uma virtual “egiptomania”. Isso foi reforçado ainda mais com a campanha militar de Napoleão naquele país e as vastas quantidades de artefatos egípcios posteriormente trazidos de volta à França por oficiais franceses. Talvez o mais importante desses objetos tenha sido a Pedra de Roseta que foi encontrada em 1799 em Rosetta (Rashid), a leste de Alexandria. Em 1822 Jean-François Champollion conseguiu decifrar os antigos hieróglifos egípcios com a ajuda desta pedra.
Embora a Maçonaria Egípcia nunca tenha se tornado um verdadeiro desafio à predominância das outras formas de Maçonaria de Altos Graus, ela permaneceu à margem da Maçonaria regular até hoje. No entanto, um olhar mais atento aos rituais dos ritos egípcios, como o Rito de Misraim, mostra, conforme Antoine Faivre apontou, que a Maçonaria egípcia não era muito egípcia por natureza. Na verdade, a maioria dos rituais que foram incluídos nos ritos egípcios, tais como os ritos de Memphis e Misraim, foram retirados dos ritos Ecossais e Templário. No entanto, um aspecto que diferencia a Maçonaria Egípcia dos sistemas Templários e Ecossais, é a prevalência marcante de influências esotéricas ocidentais sobre o primeiro. É claro que os principais propagadores da Maçonaria Egípcia, do século XVIII ao XX, fizeram parte do movimento esotérico ocidental.
Um dos primeiros propagadores da Maçonaria Egípcia foi Karl Friedrich von Köppen (1734-1797) que fundou a Ordem dos Afrikanische Bauherren (Arquitetos Africanos) em 1767. Esta ordem era baseada num pequeno texto dele e de Bernhard Hymmen (1731-1787), chamada "Crata Repoa". Os autores apresentaram uma história alternativa da Maçonaria em que o primeiro Grão-Mestre foi identificado como o bíblico Cam, que imigrou para o Egipto e lá tomou o nome de Menés. No Egito, Menés recebeu conhecimento secreto que foi transmitido e preservado por gerações de maçons até o século XVIII. Supostamente, a Ordem do Afrikanische Bauherren estava baseada nesse conhecimento secreto. O rito compreendia um total de onze graus divididos em três grupos ou Templos.
Outro sistema influente foi o Rito Egípcio de Cagliostro, fundado em Nápoles em 1777, com um Supremo Conselho estabelecido em Paris em 1785. Allesandro di Cagliostro (pseudônimo de Giuseppe Balsamo, 1743-1795) foi um dos aventureiros mais famosos e carismáticos do século XVIII. Entre outras coisas, ele alegava ter sido iniciado nas pirâmides do Egipto e afirmava que possuía o conhecimento para transmutar metais comuns em prata e ouro. Outras alegações incluíam a capacidade de evocar espíritos e que ele teria vivido por nada menos que dois mil anos. Em 1785 ele anunciou que homens e mulheres deveriam ter direito aos mistérios das pirâmides, e assim abriu o seu Rito para as mulheres. A preocupação de Cagliostro com assuntos esotéricos aparentemente encontrou o seu caminho para o sistema iniciático do seu Rito Egípcio, e o Rito incluía aspectos alquímicos, a busca por uma imortalidade espiritual e a teurgia angélical (magia realizada com a ajuda de espíritos benéficos).
Os mais famosos de todos os ritos egípcios, e certamente os mais influentes, foram os ritos de Misraim e Memphis. O primeiro desses ritos, o Rito de Misraim, foi fundado em torno de 1805 em Milão pelo francês Lechangeur (+ 1812). Diz-se que a sua razão para fundar este Rito foi que lhe foi negado o acesso aos graus mais elevados do Rito Escocês. Ele, portanto, decidiu criar a sua própria ordem que ele alegava ser superior ao Rito Escocês. É possível que haja alguma verdade histórica nisso, já que a Maçonaria Egípcia foi em grande parte uma reação contra os Ritos Ecossais e Templário. A ordem foi chamada de Rito de Misraim em referência à lenda da ordem sobre o filho do bíblico Cam, Misraim. De acordo com esta lenda, Misraim teve um papel profundo na formação da religião do antigo Egito – não foi outro senão Misraim quem foi o criador da tradição secreta de Ísis e Osíris. Além disso, a sabedoria preservada dentro do santuário do rito foi reivindicada como derivada de Adão, que a recebeu diretamente de Deus.
Alguns anos depois, a ordem chegou às mãos de três irmãos de Avignon, Marc, Michael e Joseph Bedarride, e foi sob a sua liderança que a ordem foi introduzida na França em 1815. Os irmãos Bedarride tentaram fazer com que o Rito fosse reconhecido pelo corpo maçônico governante na França, o Grande Oriente. O Rito foi comparativamente bem-sucedido por alguns anos, e várias lojas foram estabelecidas em toda a França. Conflitos internos, no entanto, impediram uma maior expansão e, em 1817, o Supremo Conselho do Rito foi formalmente dissolvido. Várias lojas, no entanto, continuaram a trabalhar os graus do rito. O rito consistia num total de noventa graus, divididos em quatro séries, que eram subdivididas em dezessete classes. As quatro séries foram chamadas de Simbólica, Filosófica, Mística e Cabalística.
Em 1833 Jacques-Étienne Marconis de Nègre (1795-1868) juntou-se ao Rito de Misraim em Paris, mas foi excluído do Rito alguns meses depois. Ele então se mudou para Lyon, onde em 1836 fundou uma loja do Rito de Misraim, usando outro nome. Os irmãos Bedarride aparentemente não suspeitavam que o fundador desta loja fosse a mesma pessoa que tinha sido excluída alguns anos antes, em Paris. Em Maio de 1838, no entanto, Marconis foi expulso mais uma vez do Rito. Desta vez, em vez de voltar com um nome diferente, ele montou o seu próprio Rito Maçónico Egípcio – o Rito de Memphis. Este Rito consistia em 96 graus, com um 97º grau reservado para o chefe da Ordem, chamado de Grande Hierofante 97°. Marconis conseguiu estabelecer lojas do Rito em Paris, Bélgica e Grã-Bretanha (onde uma Grande Loja do Rito foi estabelecida).
Em 1856 Marconis viajou para Nova York, onde instituiu uma Grande Loja do rito, chamada “Discípulos de Memphis”. Depois de alguns anos, Harry J. Seymour tornou-se o chefe do rito nos Estados Unidos e, em 1867, reformou o sistema iniciático do rito e reduziu o número de graus de 96 para 33. Alguns anos depois, o rito foi (re)importado para a Europa por meio de John Yarker (que estabeleceu um Grande Santuário Soberano em 1872) e, eventualmente, formou a base para a Ordo Templi Orientis. Na Itália, o Rito de Mênfis e o Rito de Misraim se fundiram num sistema em torno de 1881 através dos esforços de Giuseppe Garibaldi (1807-1882), sob o nome de Rito de Menphis e Misraim. Existem hoje muitas organizações que afirmam representar os Ritos de Menphis e Misraim.

Maçonaria Esotérica
Os ritos maçônicos de uma inclinação esotérica mais franca incluíam ritos e ordens como L’Orde des Élus Coëns e o Rito Ecossais philosophique, mas os Ritos e Graus Rosacruzes também podem ser incluídos nesta categoria. A primeira delas, L’Orde des Élus Coëns, ou A Ordem dos Cavaleiros Maçônicos Élus Coëns do Universo, foi fundada pelo teosofista e cabalista Martines de Pasqually (1708/1709-1774) na década de 1760, e incluía uma forma peculiar de teurgia misturada com a filosofia e teosofia do seu fundador. Embora esta ordem possuísse todas as características externas de uma organização maçônica, tais como um sistema hierárquico de graus, rituais de iniciação e lojas e empregasse uma terminologia maçônica típica, talvez seja mais adequado rotular a L’Orde des Élus Coëns como um movimento religioso. A razão para isso não é apenas os ensinamentos religiosos peculiares derivados de Pasqually, mas também a vida religiosa marcada que se esperava que os membros vivessem, que é referida no nome da ordem: “sacerdotes escolhidos”, do hebraico Cohen, que significa sacerdote.
Os ensinamentos de Pasqually giram em torno da ideia gnóstica da Queda do Homem, através da qual a humanidade se separou de Deus. Através do sistema iniciático da ordem, esperava-se que os membros revertessem a queda e fizessem uma jornada ascendente na qual os sete graus da ordem (sem contar os três Graus da Arte) correspondiam aos sete dons do Espírito. O objetivo final do processo iniciático era a “reintegração”, um retorno ao estado primitivo e primordial do homem caracterizado pela união com Deus.
De acordo com Jean-François Var, esta teurgia não visava adquirir poderes naturais ou sobrenaturais, e fazia parte de um “culto” religioso que incluía uma liturgia. O sistema iniciático da ordem consistia num total de dez graus, dos quais os Graus simbólicos preliminares não eram vistos como parte da Ordem como tal. Os graus eram divididos em quatro classes diferentes (novamente, sem contar os Graus simbólicos), e o grau de Réau-Croix como o grau mais alto que constituía uma classe própria. Após a morte de Pasqually em 1774, Caignet de Lester (1725-1778) o sucedeu como líder da ordem (Grand Souverain de l’Ordre), seguido por Sebastian de Las Casas em 1778. Embora a L’Orde des Élus Coëns tenha sido formalmente dissolvida em 1781, ela continuou a ter lojas ativas, principalmente a de Lyon sob a liderança de Willermoz.
O Rito Ecossais philosophique foi o sucessor de um Rito esotérico chamado Rito Hermétique d’Avignon, fundado em 1774. De acordo com J.A.M. Snoek, O Rito Hermétique foi de fato criado na loja Saint Jean d’Ecosse em Marselha, onde alguns membros da loja, que foi fundada em 1774 em Avignon, receberam os seus graus, e foi esta loja de Marselha que constituiu a loja Saint Jean d’Ecosse em Avignon em 31 de Julho de 1774. Em 1776 o Rite Hermétique foi exportado de Avignon para Paris, onde mudou o seu nome para Rite Ecossais philosophique. A história do desenvolvimento do sistema de graus do Rito Ecossais philosophique é uma questão complicada em si, mas basta dizer que a lista oferecida em Coletânea corresponde a uma lista feita por Claude Antoine Thory para o rito em 1766. Obviamente, a data da lista de Thory é um erro, uma vez que o Rito nem existia até então. É incerto quando o Rito foi dissolvido, mas provavelmente ocorreu em algum momento entre 1844 e 1849. O Rito Ecossais philosophique é um bom exemplo dos sistemas maçônicos mais alquimicamente orientados do século XVIII, como será evidente a partir dos rituais do grau de Verdadeiro Maçom ou Académie des Vrais Maçons.

Influência da Ordem Rosacruz
Finalmente, cabe mencionar os chamados Graus e Ritos Rosacruzes que também apareceram na cena maçônica durante o século XVIII. O principal traço característico desses tipos de graus e ritos é que eles aludem de maneiras diferentes ao movimento Rosa-Cruz do século XVII. Provavelmente nunca existiu uma Fraternidade Rosa-Cruz como descrita nos manifestos Rosacruzes, mas a ideia de tal fraternidade, no entanto, tornou-se popular durante o século XVII. Não demorou muito para que a Maçonaria fosse vista como ligada ao Rosacrucianismo. Por exemplo, em "As Musas Threnodie" (1638) os “Irmãos da Rosa-Cruz” são descritos como estando de posse da Palavra Maçônica. É preciso enfatizar, no entanto, que os Graus Rosacruzes maçônicos diferem consideravelmente, tanto no conteúdo quanto na sua relação com o Rosacrucianismo do século XVII. A fim de simplificar as coisas, pode-se dizer que a maioria (mas não todos) dos Graus e Ritos Rosacruzes Maçônicos do século XVIII foram focados na alquimia, enquanto os Graus e Ritos Rosacruzes posteriores estão mais focados no Misticismo Cristão.
Um dos ritos rosacruzes maçônicos mais influentes a aparecer em cena foi "Der Orden des Gold - und Rosenkreuzes" (A Ordem do Ouro e da Rosa-Cruz), fundada em meados do século XVIII no mundo de língua alemã. Este Rito foi um desdobramento maçônico de uma irmandade alquímica chamada Der Orden des Gülden und Rosenkreutzes (A Ordem da Cruz Dourada e Rosa) fundada em 1710. O Rosacrucianismo da Der Orden des Gold- und Rosenkreuzes foi fortemente infundido com alquimia, mas também havia um aspecto político na Ordem. Muitas, se não a maioria, das Lojas de Craft Maçônico do século XVIII acalentavam os ideais do Iluminismo, enquanto os Ritos de Alto Grau muitas vezes eram mais ambivalentes em relação a esses ideais. Os membros da Der Orden des Gold- und Rosenkreuzes eram, em grande medida, conservadores nas suas perspectivas, e a Ordem pode ser vista, até certo ponto, como parte do movimento antiAufklärung (anti-iluminismo) ativo no mundo de língua alemã durante a segunda metade do século XVIII.
Além da busca do conhecimento alquímico, outra característica importante atraiu as pessoas para a nova ordem Rosa-Cruz: a sua postura política. O rosacrucianismo no final do século tornou-se um ponto de encontro para aqueles que eram de perspectiva conservadora e que se opunham às tendências socialmente radicais, racionalistas e até antirreligiosas que estavam se tornando um sério desafio na Alemanha.
A Ordem foi comparativamente bem-sucedida e lojas foram estabelecidas nos países de língua alemã, Áustria, Hungria e norte da Itália. O seu sucesso deveu-se não apenas ao fato de que a ordem funcionava como um “ponto focal conservador”, mas também porque enfatizava a importância da religião em tempos em que sentimentos antirreligiosos eram populares em certas partes da sociedade. Além disso, o caráter alemão da Ordem atraiu pessoas de orientação nacionalista. Por último, mas não menos importante, a Ordem afirmava possuir um conhecimento secreto (alquimia) que era restrito aos seus iniciados. O sistema iniciático de Der Orden des Gold- und Rosenkreuzes , consistia em nove graus, e era preciso ser Mestre Maçom para ser elegível a ingressar na ordem.

Outra importante ordem rosa-cruz maçônica é a Ordem Real da Escócia, que foi fundada em meados do século XVIII, talvez já em 1741. A ordem caiu numa suspensão de vinte anos de 1819 a 1839, mas se recuperou e hoje é um rito relativamente grande com numerosas Grandes Lojas Provinciais. Ela foi estabelecida nos Estados Unidos em 1877 com o prolífico autor maçônico Albert Pike (1809-1891) como seu primeiro Grão-Mestre Provincial. Consiste em dois altos graus: a Ordem do Heredom de Kilwinning e os Cavaleiros da Rosa-Cruz. O primeiro desses dois graus dá explicações adicionais dos três Graus da Arte Real, enquanto o dos Cavaleiros da Rosa-Cruz é caracterizado pelo misticismo cristão velado no simbolismo rosa-cruz. De acordo com uma história lendária da Ordem, a Ordem Real da Escócia foi fundada pelo Rei Robert Bruce (1274-1329) em 1314 para comemorar a assistência que recebeu de sessenta e três Cavaleiros Templários na batalha de Bannockburn em 24 de Junho de 1314. Os Cavaleiros Templários apareceram inesperadamente num ponto crucial da batalha e ajudaram Robert Bruce a derrotar as forças inglesas de Eduardo II (1284-1327). A derrota garantiu a independência da Escócia até a União de 1707.
O Décimo Oitavo Grau do Rito Antigo e Aceito, Rosa-Cruz de Heredom, Cavaleiro do Pelicano e da Águia, é provavelmente o mais conhecido e praticado de todos os Graus Rosacruzes Maçônicos. Embora a história deste grau remonte a meados da França do século XVIII, ele difere consideravelmente em conteúdo de outros ritos rosa cruzes maçônicos do século XVIII, como Der Orden des Gold- und Rosenkreuzes.
Em 1768 foi fundado em Paris um corpo maçônico que se autodenominava Primeiro Capítulo Soberano Rosa Cruz, e nos estatutos que emitiu um ano depois afirma-se que “Os cavaleiros de Rosa Cruz são chamados de cavaleiros da Águia, do Pelicano, Soberanos de Rosa Cruz, perfeitos Príncipes Maçons livres de Heredon.” A Águia e o Pelicano são símbolos de Cristo, o que alude à natureza cristã do grau. O nome Heredon, mais comumente escrito como Heredom (e às vezes como Harodim, é o nome dado a uma montanha mítica que supostamente existe ao norte de Kilwinning, na Escócia. De acordo com um mito maçônico, associado particularmente à Maçonaria Escocesa, os maçons foram expulsos de Jerusalém após a destruição do Templo e, posteriormente, encontraram o seu caminho até esta montanha na Escócia. Eles permaneceram nesta montanha até a época das Cruzadas.
Os graus rosacruzes, portanto, se enquadram em duas categorias principais que são a alquímica e cristã, mas é preciso enfatizar que não há fronteiras claras entre as duas categorias.

Conclusão
Os Altos Graus da Maçonaria foram enormemente bem-sucedidos e um grande número de ritos foi estabelecido durante o século XVIII. Vários desses ritos, como o Rito Escocês Antigo e Aceito e o Rito Sueco, estão ativos até hoje. Outros, como Der Orden des Gold- und Rosenkreuzes, deixaram de existir há muito tempo. Talvez a característica mais marcante dessa forma de ritual seja a sua diversidade, que inclui tipos como Cavalaria, Templário, Ecossais e Altos Graus Egípcios. O seu denominador comum é que, de várias maneiras, eles contêm elaborações dos rituais do Grau do Craft. Além disso, é particularmente em certos tipos de Altos Graus que o esoterismo ocidental é explicitamente transmitido. No século XIX, os sistemas esotéricos de alto grau mais francos, como os Ritos de Menphis e Misraim, o Rito Antigo e Primitivo e o Rito Swedenborgiano existiram à margem do mundo maçônico, mas muitos deles sobreviveriam – de várias maneiras – até o século XXI e continuam a existir até hoje.
Créditos:
Antonio A. Belelli - M.:M.: Gr.: 33 GLEG
Fonte - Pesquisa:
